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No começo da minha trajetória na tatuagem, quando só existiam Orkut e MSN, a realidade era outra.
Não tinha informação fácil, não tinha Instagram, não tinha troca entre tatuadores. Cada um aprendia na raça, errando, insistindo e observando.

Foi nesse cenário que cinco pessoas fizeram uma diferença gigantesca na minha história.

Três delas eram um grupo de amigos de São Paulo: Alexandre Ribeiro (Alé), Ary Morssuza e mais tarde Jeff Waine.
Eles vieram visitar meu primo, Leonardo Arruda, que na época também era tatuador.

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Essa visita mudou tudo.

Eles foram até o meu estúdio e, ali, me ensinaram muito mais do que técnica. Me ensinaram visão, postura, responsabilidade e respeito pela profissão.
Depois disso, vieram as viagens para São Paulo, eventos, workshops… e a gente sempre junto, trocando, aprendendo e crescendo.

Em São Paulo, conheci o Jeff Waine.
Foi ele quem me ensinou a ser autoral, a pensar além da cópia. Aprendi muito sobre New School com ele. O Jeff é um desenhista fora da curva, com um talento absurdo, daqueles que te obrigam a subir o nível.

O Ary teve um papel essencial em outra frente:
empreendedorismo, visão de negócio, profissionalismo. Ele me ensinou que tatuagem não é só arte — é compromisso, empresa e carreira.

Mas se tem alguém que posso chamar de grande mestre, esse alguém é o Alé.
Ele me ensinou quase tudo sobre tattoo: estilos, técnicas, máquinas, pintura e arte em geral. Minha base vem muito dele. Sou extremamente grato por tudo que aprendi com esses três.

No meio do caminho, no final de 2010, veio outro divisor de águas.
Fiz meu primeiro workshop com um artista que, até então, eu só via em revistas de tatuagem: Monkey.

Além de ensinar realismo colorido, o Monkey foi pioneiro no Brasil em workshops. Ele rodou o país inteiro, formou gerações e, pessoalmente, me ensinou muito sobre eventos, convenções e o cenário profissional da tattoo.
Vi esse cara ganhar dezenas de prêmios ao vivo — e acredito, sem dúvida, que ele teve uma grande influência para que eu fosse patrocinado pela Electric Ink, onde fiz parte por mais de três anos.

Já em Minas Gerais, tive outra referência gigantesca na minha formação artística: Daniel Dan.
Antes mesmo de tatuar, ele já era um monstro do graffiti. Eu já era fã dos trabalhos que via pelas ruas do bairro Alterosas, em Betim.

O Dan fez parte do meu crescimento por muitos anos. Me acompanhou em vários eventos, esteve presente em momentos importantes da minha caminhada e é, sem exagero, um dos maiores artistas que já conheci. Hoje também é tatuador, e minha gratidão por tudo que aprendi com ele é enorme.

Nada disso foi por acaso.
Cada encontro, cada troca e cada aprendizado moldaram quem eu sou hoje — como artista e como profissional.

Respeito o passado, honro quem veio antes e sigo evoluindo, porque é assim que a tattoo sempre foi feita.

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Márcio Arruda Tatuador em Belo Horizonte