Comecei em 2001, numa época em que tatuagem não era tendência, não tinha glamour e muito menos facilidade. Entrei no mundo da tattoo como body piercing e tatuador, usando o que dava: máquina caseira, agulhas amarradas com linha e muita vontade de aprender. Era tudo na raça. Não existia atalho.
Juntei dinheiro como deu, até conseguir comprar minha primeira máquina e fonte profissional. Nesse período, tatuei por poucos meses em casa, sempre com cuidado e respeito pelo que estava fazendo. Logo depois, dei um passo grande: abri minha primeira loja em uma galeria no bairro Alterosas. Era simples, mas era minha.
Naquele tempo, não existia internet, não tinha tutorial, não tinha vídeo, não tinha fornecedor fácil. Informação era rara. A gente aprendia comprando revistas importadas, observando fotos, lendo entrevistas e quebrando a cabeça pra entender técnica, traço e composição. Quem começou nessa época sabe: ou você tinha disciplina, ou ficava pra trás.
Quando a internet começou a ganhar força e as redes sociais surgiram, veio uma avalanche de informação. Workshops, eventos e convenções começaram a aparecer — e eu fui atrás de aprender com quem realmente tinha história na tattoo. Participei de muitos workshops e eventos importantes, aprendendo com grandes nomes da tatuagem, como Monkey, Joe Capobianco, Jime Litwalk, Lincon, Toshio Shimada, entre vários outros.

No começo, meu objetivo era claro: eu queria ser artista tatuador no estilo oriental. Sempre admirei a tradição, o peso cultural e a técnica desse estilo. Mas a tattoo, às vezes, escolhe você. No primeiro evento em que participei, acabei me destacando fortemente no estilo New School. Foi ali que me encontrei de verdade. O traço, a cor, a liberdade criativa — tudo encaixou.

A partir daí, os resultados começaram a aparecer. Vieram prêmios em eventos nacionais e internacionais, reconhecimento do público e dos colegas de profissão. Um dos momentos mais marcantes foi na Tattoo Week São Paulo, a maior convenção de tatuagem do mundo, onde conquistei o 3º lugar, um marco importante na minha carreira.

Entre 2011 e 2017, participei de inúmeros eventos pelo Brasil, sendo premiado em quase todos. Em alguns deles, tive a honra de atuar também como jurado, avaliando trabalhos de outros tatuadores — algo que mostra não só técnica, mas respeito dentro da profissão.

Nesse mesmo período, vieram os patrocínios. Fui patrocinado por algumas empresas do ramo, incluindo uma das maiores do mundo: a Electric Ink. Foram três anos vestindo a camisa da empresa com muito orgulho, representando uma marca que sempre respeitei. Além disso, ministrei e palestrei em diversos workshops pelo Brasil, compartilhando conhecimento com quem estava começando ou buscando evolução.

Hoje, olhando pra trás, vejo uma trajetória construída com trabalho, persistência e respeito à tatuagem. Nada foi fácil, nada veio de graça. E é exatamente isso que dá valor a cada etapa. A tattoo mudou, o mundo mudou, a tecnologia avançou — mas a essência continua a mesma: linha bem feita, estudo constante e compromisso com a pele do outro.
Minha história não é sobre sorte. É sobre constância. E a caminhada continua.